Se você já se sentiu sem forças ou com o coração pesado, certamente encontrou refúgio nas palavras de um Preto Velho. Eles são os “vovôs” e “vovós” da Umbanda, entidades que representam os ancestrais africanos que, apesar de todo o sofrimento da escravidão, escolheram o caminho do perdão e da caridade.

Na Casa da Macumba, honramos esses mestres que nos ensinam que a maior mandinga que existe é a humildade.


Quem são os Pretos Velhos?

Os Pretos Velhos são espíritos de luz que se apresentam com a roupagem de negros escravizados anciãos. Essa forma não é por acaso: ela simboliza a sabedoria acumulada, a vitória sobre a dor e o domínio completo sobre as energias da terra.

Eles são os mestres das ervas, do café e do cachimbo. Quando um Preto Velho senta em seu “toco”, ele não está apenas descansando; ele está aterrando as energias negativas e preparando o solo para a cura do consulente.

O Poder do Conselho e do Passe

Diferente da rapidez dos Caboclos, o atendimento de um Preto Velho é lento, calmo e profundo. Suas principais ferramentas são:

  • O Cachimbo: A fumaça atua como um defumador pessoal, limpando as larvas espirituais da mente.
  • O Galhinho de Arruda/Guiné: Usado para benzer e retirar o “quebranto” ou o mau-olhado.
  • O Café e o Vinho: Elementos que ajudam na manipulação das energias vitais.

“O sol nasce para todos, mas a sombra é só para quem sabe plantar a sua própria árvore.” — Ditado de Preto Velho.


As Principais Falanges (Linhas)

Os nomes dos Pretos Velhos geralmente revelam sua origem ou “nação” africana:

  • Congo (ex: Pai Joaquim do Congo): Geralmente mais alegres e extrovertidos.
  • Angola (ex: Pai Pai Benedito de Angola): Conhecidos pela firmeza e pelo conhecimento das ervas.
  • Aruanda: Entidades com um foco muito grande na elevação espiritual.
  • Vovós (ex: Vovó Cambinda, Vovó Maria Conga): O colo materno, especialistas em curas emocionais e proteção da família.

Adorei as Almas!

Essa é a saudação que ecoa nos terreiros. Ao dizer “Adorei as Almas”, não estamos apenas saudando os mortos, mas reconhecendo a luz das almas benditas que continuam trabalhando por nós do outro lado do véu.


Conclusão

Conversar com um Preto Velho é como tomar um chá em uma tarde de chuva: o tempo para e a esperança volta. Que possamos aprender com eles que a paciência é a chave para abrir qualquer porta que a vida insista em fechar.

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