A História e o Surgimento de Nanã Buruquê
O nome Nanã significa “Mãe” ou “Avó”, e Buruquê pode estar relacionado à sua antiguidade e à origem das águas. Ela é considerada a divindade mais antiga, anterior até mesmo a Oxalá em alguns mitos, por ser a substância de onde a própria vida foi moldada.
O Mito da Criação e da Lama: Diz a lenda que quando Olodumare encarregou Oxalá de criar o homem, ele usou a lama primordial que Nanã guardava para moldar os primeiros corpos humanos. Por isso, ela é a senhora da matéria que se decompõe e retorna à terra, e da matéria que dá origem a novas vidas. Ela é a Orixá que assiste o processo de nascimento e morte, sendo a guardiã do portal entre os mundos.
Nanã é uma figura maternal, mas com uma sabedoria austera e calma. Ela não usa instrumentos de metal (ferramentas de Ogum), pois considera o metal uma invenção muito recente e violenta. Seus símbolos são de matéria-prima primitiva e natural.
Área de Atuação Energética
Nanã atua em campos que regem os ciclos da vida, a memória ancestral e a transição:
- Pântanos e Lama Primordial: Ela rege as águas paradas dos pântanos e a lama, que é tanto o berço da vida quanto o lugar da decomposição e do retorno à terra.
- Maternidade Ancestral e Sabedoria: É a arquétipo da “Grande Avó”, que guarda o conhecimento dos antepassados e a memória do tempo.
- Doença e Cura da Velhice: Nanã está associada às doenças da velhice e aos processos degenerativos, mas também à sabedoria de aceitar o ciclo natural da vida e encontrar a cura através do conhecimento ancestral.
- Ciclo Vida-Morte-Vida: Ela é a Senhora do portal entre a vida e a morte, acompanhando as almas no seu retorno à terra, em um processo de transmutação e não de aniquilação.
Personalidade dos Filhos de Nanã
Os filhos de Nanã carregam a serenidade e a profundidade de sua mãe, com uma sabedoria que muitas vezes parece vir de outras eras.
- Calma e Paciência: São pessoas extremamente pacientes, que observam o mundo com uma tranquilidade notável. Dificilmente se irritam ou agem impulsivamente.
- Sabedoria e Discrição: Possuem uma sabedoria inata e uma intuição aguçada. São discretos, preferindo ouvir a falar, e seus conselhos são sempre bem ponderados.
- Respeito pela Tradição: Valorizam muito as raízes, a família, os mais velhos e os costumes. São guardiões da memória e da história.
- Dificuldade com Mudanças Rápidas: Por serem muito ligados ao passado e aos ciclos lentos da natureza, podem ter dificuldade em se adaptar a mudanças abruptas ou a ritmos de vida muito acelerados.
- Profundidade Emocional: Não são de demonstrar grandes explosões de alegria ou tristeza, mas suas emoções são profundas e complexas, como as águas de um pântano.
Símbolos e Correspondências:
- Dia da semana: Sábado ou Segunda-feira (dependendo da linha).
- Cores: Lilás e Roxo.
- Saudação: Saluba Nanã!
- Elemento: Água parada, Pântano, Lama.
- Símbolo: O Ibiri (um feixe de nervuras de palmeira com búzios e contas, enfeitado com fitas), que representa seu poder sobre o tempo e a vida.
Com certeza! Vamos complementar o texto com as oferendas e flores tradicionais de Nanã, e em seguida, criarei uma imagem para você, focando na sua representação mais velha em um pântano na floresta.
Oferendas Tradicionais e Flores de Nanã Buruquê
As oferendas para Nanã são atos de profunda reverência, buscando sua sabedoria, amparo e a aceitação dos ciclos da vida e da morte. Elas refletem sua conexão com a terra primordial e as águas estagnadas.
1. Oferendas Culinárias:
As comidas de Nanã são simples, geralmente sem o uso de sal ou dendê (que são associados a Orixás mais jovens e a processos de “aceleração”), refletindo sua essência primordial e a calma da água parada:
- Pipa: Feijão fradinho cozido, sem pele e sem tempero, amassado e moldado em forma de bolinhos ou em um montinho. É uma das suas comidas mais características.
- Pirão de Água: Farinha de mandioca com água, cozida até formar um pirão suave.
- Manjar de Aveia: Aveia cozida com água ou leite de coco, sem açúcar, remetendo à sua simplicidade.
- Frutas Simples: Uva, figo, melancia (cortada em rodelas, simbolizando a lua e o ciclo).
- Milho Branco Cozido: Simboliza a pureza e a ancestralidade.
2. Elementos e Ornamentos:
Para compor um assentamento ou altar para Nanã, alguns elementos são essenciais:
- Ibiri: É o seu cetro sagrado, feito de nervuras de palmeira, búzios e contas, enfeitado com fitas roxas. Simboliza seu poder sobre a vida e a morte e a conexão com a ancestralidade.
- Búzios: Conchas marinhas que representam a comunicação com o sagrado e a sabedoria.
- Conchas: Conchas diversas, que remetem à água.
- Argila e Cerâmica: Utensílios feitos de argila crua ou cerâmica sem esmalte, simbolizando a matéria primordial.
- Objetos de Chumbo: Em algumas linhas, o chumbo é associado a ela por ser um metal pesado e antigo.
- Pedaços de Pano Roxo ou Lilás: Simbolizam sua cor e seu mistério.
3. Flores e Perfumes Naturais:
As flores de Nanã são geralmente simples e de cores que evocam serenidade, mistério e sabedoria:
- Lírios Roxo ou Lilás: Representam a sabedoria, a espiritualidade e a serenidade.
- Violetas: Simbolizam a modéstia, a humildade e a profundidade espiritual.
- Manacá: Uma flor que muda de cor do roxo para o branco, representando as transformações e a dualidade vida-morte.
- Orquídeas Roxas: Evocam a beleza misteriosa e a raridade.
- Folhas de Taioba ou Bananeira: Em algumas oferendas, as folhas são usadas para envolver as comidas.
- Perfumes Naturais: Águas de cheiro suaves, com essências terrosas ou florais discretas, que remetam à natureza e à calma.
Onde e Como Oferecer:
Tradicionalmente, as oferendas para Nanã são depositadas em pântanos, lagoas de águas paradas ou à beira de rios de fluxo lento. O respeito e a reverência são fundamentais, e as oferendas devem ser biodegradáveis, sempre buscando a harmonia com o ambiente natural. Velas roxas ou lilás acompanham o ritual.
