A História de Iemanjá
Originária do rio Ogum na Nigéria , no Brasil Iemanjá é a rainha do mar. Ela é filha de Olokun, divindade das profundezas oceânicas. Iemanjá é considerada a mãe de todos; seu nome deriva de “Yèyé omo ejá”, que significa “Mãe cujos filhos são peixes”.
Relação com Omulu
De acordo com a mitologia Iorubá, Nanã enfeitiçou Oxalá para conseguir seduzi-lo e engravidar dele. E ela conseguiu, entretanto quando Obaluaê nasceu, o menino tinha o corpo coberto de feridas e chagas. Obaluaê nasceu com varíola e seu corpo era completamente mal formado. Nanã não suportou a ideia de ter dado a luz a um bebê daquela maneira, e sem saber o que fazer com ele, abandonou-o na beira do mar, para que a maré cheia o levasse. Iemanjá o encontrou e com pena da criança, levou para uma gruta e em suas feridas colocou curativos com folha de bananeira. E alimentou -o com pipocas.
Características dos Filhos de Iemanjá
Os filhos de Iemanjá
- Maternalismo: São protetores e cuidam dos outros como se fossem todos da família.
- Dignidade: Possuem uma presença imponente e dão muita importância à hierarquia e ao respeito.
- Emocionais: Assim como o mar, podem ser calmos e acolhedores, mas quando perdem a paciência, tornam-se “tempestades” avassaladoras.
- Vaidade: Gostam do luxo, da limpeza e de estar bem apresentados.
- Persistência: São determinados e dificilmente desistem de seus objetivos.
Objetos de Atuação e Símbolos
- Abebé: Um leque de metal (geralmente prateado) com um espelho no centro.
- Cores: Azul claro, branco e prata
- Saudação: “Odoyá!” ou “Erù Iyá!”.
- Elemento: Águas salgadas (mares e oceanos).
- Pedra: Pérola, água-marinha e cristal de rocha.
Oferendas Comuns
As oferendas a Iemanjá visam pedir paz, harmonia familiar e limpeza espiritual.
| Tipo | Itens Comuns |
|---|---|
| Comidas | Manjar branco, arroz-doce, canjica branca e peixe de água salgada. |
| Frutas | Melancia, uva verde, pêra e melão. |
| Flores | Rosas brancas e palmas brancas. |
| Bebidas | Champanhe clara ou água mineral. |
Iyá Orí: A Mãe da Cabeça
Além de mãe dos Orixás, Iemanjá é a Dona das Cabeças (Iyá Orí). Na cosmologia africana, o Orí é a parte divina do ser humano, onde residem o destino e a sanidade.
- O Ritual do Bori: Ela é a principal divindade invocada no Bori (ritual de “dar comida à cabeça”), que busca o equilíbrio mental e a paz interior. Sem o equilíbrio de Iemanjá, nenhum outro Orixá consegue se estabelecer plenamente em um devoto.
2. O Mistério dos Seios Fartos
Muitos Itãs (lendas) mencionam que Iemanjá tinha seios muito grandes, o que lhe causava vergonha. Isso é um símbolo profundo de sua fecundidade extrema.
- A Origem dos Mares: Uma das lendas mais famosas conta que, ao fugir de uma situação de opressão ou violência, Iemanjá caiu e seus seios se romperam, vertendo rios que correram até formar o oceano. Assim, ela não apenas “mora” no mar; ela é o próprio mar que nasceu de seu corpo.
3. Sincretismo e Diversas Faces
Iemanjá é tão vasta que se divide em diferentes “qualidades” ou nomes, dependendo da região e da religião:
- Janaina: Um nome muito comum no Brasil, usado por pescadores.
- Sereia: Uma influência da mitologia europeia que se fundiu à imagem de Iemanjá em festas populares.
- Sincretismo: É comumente associada a Nossa Senhora da Conceição (em Salvador) ou Nossa Senhora dos Navegantes (no Sul do país).
4. Sua relação com outros Orixás
- Com Oxalá: É sua grande parceira. Juntos, representam o casal primordial que equilibra o mundo: o céu e o mar, a paz e a sustentação.
- Com Ogum: No Brasil, Iemanjá é frequentemente vista como a mãe de Ogum, o guerreiro, a quem ela tenta acalmar com sua doçura e paciência.
- Com Xangô: Em momentos de desespero, foi seu filho Xangô quem usou seus raios para abrir caminhos (montanhas) para que as águas de Iemanjá pudessem fluir livremente.
Curiosidade: Por que flores brancas?
As rosas brancas são as favoritas porque o branco é a cor da pureza e da paz de Oxalá, com quem ela divide a regência das energias mais elevadas e puras da criação. Entregar flores ao mar é um gesto de “devolver a beleza à sua dona”.
Odoyá! Que as águas de Iemanjá tragam clareza para seus pensamentos.
