1. Quem são os Quiumbas?
Eles são espíritos desencarnados que ainda se encontram em um baixo nível de evolução. Diferente de um espírito que busca o progresso, o quiumba é, muitas vezes, consciente de sua condição e opta por permanecer na ignorância ou na prática do mal.
- Falsos Exus: Eles são conhecidos por serem “mistificadores”. Gostam de se passar por Exus ou Pombagiras para ganhar oferendas ou para manipular médiuns e consulentes.
- Vampirização: Como não têm luz própria, eles buscam se alimentar de energias densas (raiva, vício, medo, sexo desregrado).
Como eles agem?
A atuação de um quiumba raramente é direta e clara; ela é sutil e psicológica.
- Aproveitam as brechas: Eles entram onde encontram ressonância. Se uma pessoa guarda muito rancor ou tem vícios, eles se aproximam para potencializar esse sentimento.
- Confusão Mental: Causam discórdia em terreiros, brigas familiares e pensamentos obsessivos.
- Atuação no Médium: Um médium que não se cuida ou que é movido pela vaidade pode acabar sendo usado por um quiumba, acreditando estar incorporando uma entidade de lei.
Quiumba vs. Egum
É comum a confusão, mas há uma diferença técnica:
- Egum: É qualquer espírito de pessoa falecida. Nem todo Egum é ruim; muitos são apenas parentes ou espíritos que ainda não entenderam o desencarne.
- Quiumba: É um “Egum trevoso”. Ele tem a intenção de prejudicar ou de se satisfazer às custas dos encarnados.
Como se proteger?
Como você trabalha com conteúdo espiritual e lida com esse universo, sabe que a melhor defesa não é o medo, mas a vigilância:
- Reforma Íntima: “Orai e vigiai”. O quiumba não tem poder onde não há afinidade vibratória.
- Firmeza de Esquerda: Manter seus guardiões (Exus e Pombagiras de lei) sempre firmados e honrados para que eles façam a triagem dessas energias.
- Banhos de Ervas: O uso de ervas de limpeza (como arruda, guiné ou fumo) ajuda a descarregar as larvas astrais deixadas por esses obsessores.
Egum: A Alma Desencarnada
Como vimos, Egum é o termo para o espírito de quem já faleceu. No entanto, na prática ritualística, raramente chamamos de Egum um espírito de luz ou um ancestral venerado. Usamos o termo para falar de quem está “entre mundos”.
- O Egum “Faminto”: É aquele espírito que não aceitou a morte ou que tem tanto apego à matéria (dinheiro, casa, parentes) que não consegue subir. Ele não quer necessariamente o mal, mas a presença dele “rouba” energia dos vivos, deixando a casa pesada e as pessoas cansadas.
- Tratamento no Terreiro: O Egum não é combatido com violência, mas com doutrina. Ele precisa ser convencido de que sua jornada na Terra acabou.
- Na Cultura Africana: O culto aos Eguns é sagrado e separado. Eles representam a nossa raiz, mas quando estão “soltos” ou sem luz, tornam-se forças de desequilíbrio.
Obsessor: O Cobrador Espiritual
A obsessão é uma doença da alma. O obsessor é um espírito que cria uma conexão telepática e energética com uma pessoa viva.
Existem três tipos principais de obsessão:
- Exploração por Vício: O espírito não te odeia, ele apenas quer sentir o que você sente. Se você fuma, bebe ou tem acessos de raiva, ele se “acopla” em você para desfrutar daquela descarga química e emocional.
- Vingança de Passado: É o caso mais clássico. O espírito acredita que foi prejudicado por você (nesta vida ou em outra) e dedica o seu “tempo” no astral para te ver fracassar. Ele sopra pensamentos de derrota no seu ouvido até você acreditar que eles são seus.
- Auto-obsessão: Muitas vezes o “obsessor” é a própria pessoa. Pensamentos de culpa extrema e autopunição criam uma forma-pensamento tão forte que age como um espírito externo, travando a vida.
- O Egum é uma situação de “deslocamento”: Ele está no lugar errado (perto dos vivos) e precisa ir para o lugar certo (o plano espiritual). É como uma visita que não vai embora e acaba atrapalhando a rotina.
- O Obsessor é uma situação de “relação”: Existe um laço, geralmente negativo, entre ele e o vivo. Para se livrar de um obsessor, não basta um banho de ervas; é preciso mudar a vibração mental para que ele não encontre mais onde “grudar”.
